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Cada aluno que abandona a escola custa R$ 372 mil ao Brasil. O Livres atua para mudar isso

Em 2020, uma pesquisa do Insper em parceria com a Fundação Roberto Marinho colocou em números o que muitos intuíam, mas poucos haviam calculado: cada jovem de 16 anos que não conclui a educação básica representa uma perda média de R$ 372 mil ao longo de sua vida em renda, produtividade econômica, saúde e custos com violência. Projetado para os 575 mil jovens que abandonavam os estudos a cada ano, o prejuízo chegava a R$ 214 bilhões, quase 70% do que União, estados e municípios gastavam em um ano inteiro com educação básica.

A pesquisa foi coordenada por Ricardo Paes de Barros, professor titular no Insper e conselheiro acadêmico do Livres. O estudo não ficou numa gaveta. Virou referência para políticas públicas em todo o Brasil. E também chegou às câmaras municipais onde Líderes Livres atuam.

São Paulo: monitoramento em tempo real

Sem uma política estruturada de prevenção ao abandono escolar, a cidade de São Paulo dependia de iniciativas dispersas e sem coordenação para identificar alunos em risco antes que o afastamento se tornasse definitivo. Em 2021, a vereadora Cris Monteiro, Líder Livres, apresentou o PL 76/2021, que institui a Política Municipal de Prevenção ao Abandono e Evasão Escolar. 

A proposta prevê monitoramento de frequência em tempo real, com alertas automáticos quando um aluno começa a faltar sistematicamente, e apoio estruturado às famílias para identificar e remover as barreiras que impedem a permanência na escola — sejam elas econômicas, familiares ou de saúde. A lógica é a da gestão baseada em evidências: intervir cedo, quando ainda há tempo de agir, em vez de registrar o abandono depois que ele já aconteceu.

O projeto integra o Cardápio de Boas Práticas do Livres, disponível para qualquer vereador ou prefeito que queira replicá-lo em sua cidade.

Belo Horizonte: permanência começa na matrícula

Em Belo Horizonte, a vereadora Marcela Trópia, Líder Livres, identificou um fator silencioso de evasão: famílias com filhos em escolas diferentes enfrentam custos logísticos e emocionais que, acumulados, aumentam o risco de abandono, especialmente em famílias de baixa renda, onde o tempo de deslocamento e os custos de transporte pesam muito.

A proposta de Marcela Trópia garante prioridade de matrícula para irmãos na mesma escola pública. A medida é simples, de baixo custo de implementação e com impacto direto em três dimensões: mais conforto e economia para as famílias, redução do risco de evasão escolar e fortalecimento do vínculo entre a comunidade e a escola, fator apontado por pesquisas internacionais como um dos mais relevantes para a permanência dos alunos.

O Pé de Meia: promissor, mas incompleto

Em 2024, o governo federal lançou o Pé de Meia, um programa de bolsas mensais para estudantes do ensino médio de famílias vulneráveis, com bonificações depositadas em poupança ao concluir cada ano letivo e um valor adicional para quem participa do Enem. A lógica é próxima à que o Livres defendia em sua proposta da Lei de Responsabilidade Social: transferências condicionadas que criam incentivo financeiro para a permanência escolar.

Em março de 2026, Ricardo Paes de Barros e Laura Muller Machado publicaram o livro “Bolsas de estudo e evasão: avaliação de impacto ex-ante“, pelo Centro de Evidências da Educação Integral do Insper. Os resultados são relevantes: a taxa de evasão composta das três séries do ensino médio entre estudantes de famílias vulneráveis era de 26,4% sem o programa. Com o Pé de Meia, caiu para 19,9%, uma redução de 6,5 pontos percentuais. Em outras palavras, a cada quatro jovens que abandonariam os estudos, um deles permanece na escola por causa do programa.

Mas os mesmos pesquisadores que documentaram os avanços também apontam os limites. “Esse tipo de programa não é uma bala de prata. A evidência internacional já mostrou, isso não é uma panaceia. Ele vai resolver a depender do desenho e do contexto, de implementação e dos beneficiários”, explica Laura Muller Machado. O programa resolve bem a evasão motivada por necessidade financeira, mas tem pouco efeito sobre jovens que abandonam a escola pela baixa qualidade do ensino oferecido ou pela ausência de perspectivas de aplicação do aprendizado em seus planos de vida para o futuro.

Há também problemas técnicos de implementação: pesquisadores identificaram que, com o lançamento do Pé de Meia, programas estaduais ficaram sobrepostos, aumentando o valor recebido pelo aluno sem surtir resultado proporcionalmente melhor na queda da evasão, dado que o ganho marginal do programa diminui à medida que o benefício cresce.

O diagnóstico dos conselheiros do Livres é claro: o Pé de Meia é um avanço, mas sua potência seria muito maior em um cenário de melhoria da qualidade da educação. Uma bolsa de estudo tem mais impacto quando o motivo da evasão é a pobreza e a necessidade de trabalhar do que a baixa qualidade da educação oferecida.

As propostas do Livres no Caderno de Políticas Públicas 2026

As iniciativas de Cris Monteiro e Marcela Trópia estão alinhadas com a agenda do Caderno de Políticas Públicas 2026 do Livres, que defende a construção de sistemas integrados de monitoramento de frequência, desempenho e risco de evasão, conectados com outros serviços públicos como saúde e assistência social, como parte essencial de uma gestão escolar moderna.

O princípio é o da intervenção precoce: um sistema que detecta problemas cedo e aciona respostas coordenadas tem muito mais chance de manter o aluno na escola do que um sistema que registra o abandono e tenta, tardiamente, revertê-lo.

O que precisa mudar em escala nacional

As iniciativas municipais são importantes e replicáveis. Mas o problema da evasão escolar no Brasil tem dimensões que exigem também ação federal. O Livres defende a vinculação de parte dos repasses do Fundeb ao cumprimento de metas de aprendizagem, frequência e permanência escolar, criando incentivos para que estados e municípios priorizem a melhoria da qualidade do ensino e a prevenção à evasão nos seus sistemas de gestão.

O Pé de Meia mostra que transferências condicionadas funcionam. Mas os próprios pesquisadores que avaliaram o programa são enfáticos: sem melhoria da qualidade da educação, o incentivo financeiro resolve apenas parte do problema. Um aluno que permanece na escola mas não aprende acabará evadindo — só mais tarde. O desafio é construir um sistema que retenha com qualidade.

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