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A Casa Branca retirou nesta quarta-feira, 9, o jogo “Build the Wall” (“Construa o Muro”, em tradução livre), inspirado no clássico videogame Tetris, de seu site oficial. A ideia era incentivar os internautas a “protegerem a fronteira de uma horda que se aproxima”.
Na sexta-feira 4, a empresa responsável pela criação do jogo de empilhar blocos publicou um comunicado nas redes sociais, dizendo que levava muito a sério a violação de direitos autorais. Nesta quarta-feira a versão feita pela Casa Branca já não estava mais disponível.
Em nota enviada à agência de notícias AFP, a Tetris Company informou que não colaborou com a criação do jogo.
“A Tetris Company não participou da criação de ‘Build the Wall’ e não autorizou nem licenciou o uso da marca Tetris ou de sua propriedade intelectual”, esclareceu. “Atualmente estamos analisando o assunto”.
Nas redes sociais, a empresa também reforçou que não compactua com o conteúdo apresentado pela versão da Casa Branca. “Na Tetris, acreditamos no poder de criar conexões e de unir as pessoas, não de dividi-las”, escreveu a empresa no X, antigo Twitter.
Na semana passada, a Casa Branca lançou outros jogos para promover a política migratória do governo Donald Trump. Disponíveis no site oficial da Presidência americana, eles gamificam, com estética retrô, a captura e a deportação de estrangeiros sem documentos — iniciativa que provocou críticas de organizações de direitos humanos.
Um dos jogos, chamado Rio Run e inspirado no popular “jogo da cobrinha”, coloca o usuário no controle de uma versão digital do czar da fronteira dos Estados Unidos, Tom Homan, perseguindo imigrantes de diferentes tons de pele ao lado do Rio Grande, na fronteira com o México, para deportá-los.
Cerco à imigração
O lançamento dos jogos ocorre em meio à intensificação das operações de prisão e deportação de imigrantes nos Estados Unidos. Em julho, o ICE, a polícia de imigração americana, prendeu 49. 571 pessoas, o maior número de detenções registrado em um único mês desde o início do segundo mandato de Trump, e também o mais alto em pelo menos quatro anos.
Impulsionado por um aumento de US$ 70 bilhões em verbas (R$ 360 bilhões), o Departamento de Segurança Interna americano (DHS, na sigla em inglês), que supervisiona o ICE, vem tentando atingir a meta da Casa Branca de 2 mil prisões por dia. Imigrantes são detidos em situações diversas — ao comparecerem a compromissos obrigatórios nos escritórios do ICE, em abordagens de trânsito, em frente às suas casas e, cada vez mais, em aeroportos dos Estados Unidos.
Os números mostram que o governo Trump continuou avançando com seu amplo cerco contra a imigração, que também envolve a suspensão de iniciativas de asiloe restrições à obtenção de Green Card.
Há poucos dias, o governo americano divulgou uma proposta para tornar permanente uma taxa de US$ 103 mil (mais de R$ 530 mil, na cotação atual) para a emissão de novos vistos H-1B, aqueles destinados a trabalhadores estrangeiros altamente qualificados. A medida sem precedentes deve afetar, em especial, os setores de tecnologia, educação e pesquisa.
Além da expulsão de quem está em solo americano, as medidas provocaram um desincentivo à imigração. No ano passado, apenas 344 mil vistos H-1B foram solicitados, uma queda de mais de 25% em relação a 2024 e menos da metade dos 794 mil vistos solicitados em 2023.


