IníciosaúdeChá ou café muito quente triplicam risco de câncer, diz estudo

Chá ou café muito quente triplicam risco de câncer, diz estudo

Consumir bebidas como chá ou café em temperaturas classificadas como “muito quentes” pode triplicar o risco de desenvolvimento de carcinoma de células escamosas do esôfago (SCC), um dos principais subtipos de câncer de esôfago. 

A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Unidade de Epidemiologia do Câncer da Universidade de Oxford, publicado nesta terça-feira (8) no periódico científico International Journal of Cancer. 

 

A pesquisa analisou dados de 977.282 participantes. Ao longo do monitoramento, foram diagnosticados 2.348 casos incidentes de câncer de esôfago, sendo 1.045 do tipo SCC e 1.303 do tipo adenocarcinoma (AC).

Os motivos para o aumento dos riscos

Os resultados demosntraram que as pessoas que preferiram tomar as bebidas em temperatura “muito quente” apresentaram um risco 3,17 vezes maior de desenvolver o carcinoma de células escamosas em comparação àquelas que consumiam bebidas “mornas”.

Além da temperatura, a quantidade diária consumida também se mostrou relevante no estudo.

Quem relatou tomar seis ou mais xícaras de bebidas quantes por dia apresentou um aumento de 71% no risco de SCC em comparação a quem consumia menos de seis doses diárias, mesmo após ajuste para a temperatura do líquido.

De acordo com as referências apontadas pelo estudo, uma bebida “muito quente” pode ser classificada assim quando está acima dos 65ºC. No entanto, quando pronta, ela pode atingir temperaturas em torno de 100ºC. Por isso, o recomendado é que se espere para ingerir o líquido. 

Impactos na saúde

Os pesquisadores destacam que a principal hipótese para o aumento de risco é a lesão térmica direta na mucosa do esôfago, que compromete a integridade do tecido e pode favorecer agentes físicos, químicos ou biológicos capazes de causar ou estimular o surgimento do câncer em um organismo. 

O impacto afeta especificamente as células escamosas da camada interna do órgão. 

Com base nos padrões de consumo observados na população britânica, os autores estimam que 14% dos casos de carcinoma de células escamosas do esôfago poderiam ser evitados se as pessoas que consomem líquidos “muito quentes” passassem a ingerí-los em temperaturas consideradas apenas “quentes”. 

No Reino Unido, essa mudança representaria a prevenção de aproximadamente 440 diagnósticos de câncer por ano. 

O trabalho é assinado pelos pesquisadores Keren Papier, Kezia Gaitskell, Sarah Floud e Gillian K. Reeves.

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