O Clube do Livro recebeu nesta quarta-feira (12) a economista Zeina Latif para debater sua obra Nós do Brasil: Nossa Herança e Nossas Escolhas. Doutora em Economia pela USP e sócia da Gibraltar Consulting Economia, Zeina já foi economista-chefe da XP e secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. Aberto ao público, o encontro aconteceu nos formatos on-line e presencial.

O título brinca com um duplo sentido. “Nós” pode ser o plural de “nó”, os obstáculos que travam o crescimento do Brasil. Mas também é o pronome que nomeia a própria sociedade brasileira, também responsável, com suas escolhas, por parte desses empecilhos.
Segundo a economista, o atraso do país não vem só da herança histórica. Decisões deliberadas, como a manutenção prolongada da escravidão e o apoio a golpes militares, também pesaram nesse resultado.
Educação como “pecado original”
Para Zeina, o investimento tardio em educação é o principal fator que compromete o desenvolvimento do país. Isso afeta a formação de capital humano e a qualidade da representação política. Ela também apontou a resistência sindical como um obstáculo a reformas educacionais.
Outro entrave citado é o preconceito contra o ensino técnico. Segundo ela, a sociedade ainda estigmatiza essa formação, mesmo com boa remuneração e mais resistência à automação por inteligência artificial.
Reforma tributária e desigualdade regional
Zeina também comentou a reforma tributária em curso. Para ela, o risco de a reforma do Imposto sobre Valor Agregado ampliar os benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus é um sinal negativo para a economia.
Ela defendeu ainda a revisão de benefícios fiscais concentrados, como o da meia-entrada, para melhorar a governança do gasto público.
A economista também tratou do financiamento das universidades públicas e da dispersão nas taxas de desemprego entre estados brasileiros, hoje maior do que a observada entre países europeus.
Da leitura à ação
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