O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o prejuízo de R$ 5,5 bilhões dos Correios no primeiro semestre de 2026 não deve ser confundido com prejuízo real, durante um debate na GloboNews em 1º de setembro. Ele explicou que esse déficit é resultado de investimentos e não de perdas operacionais. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, criticou Durigan, chamando suas declarações de “tapa na cara” da sociedade e ressaltou a deterioração dos Correios sob o governo atual.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, que assumiu o cargo em março deste ano com a saída de Fernando Haddad (PT) para disputar o governo de São Paulo, afirmou que o prejuízo de R$ 5,5 bilhões dos Correios registrado no primeiro semestre de 2026, na verdade, não é prejuízo.
As declarações do chefe da equipe econômica causaram perplexidade durante um debate promovido pela GloboNews na última terça-feira, 1º, com os coordenadores econômicos das principais campanhas à Presidência da República.
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Também participaram do programa a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, coordenadora de economia da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), e o ex-deputado federal Roberto Brant, coordenador do plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD).
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“Esse resultado que estamos chamando de déficit não podemos confundir com prejuízo ou lucro da empresa. Se a empresa faz investimento, isso é considerado déficit na contabilidade pública”, tentou explicar Durigan, ao comentar o rombo nos Correios.
No último sábado, 29, a estatal divulgou seus resultados financeiros referentes ao segundo trimestre deste ano. Nos seis primeiros meses de 2026, os Correios registraram um prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões, agravando o resultado negativo de R$ 4,26 bilhões do mesmo período do ano passado.
No segundo trimestre deste ano, o prejuízo dos Correios foi de R$ 2,4 bilhões. Foi o 16º trimestre consecutivo de resultados no vermelho.
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‘Tapa na cara’
Daniella Marques, um dos nomes cotados para comandar o Ministério da Economia em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, classificou as declarações de Durigan como “um tapa na cara” da sociedade brasileira.
“No governo do presidente [Jair] Bolsonaro, mandamos um projeto de privatização dos Correios para a Câmara. Com a pandemia, registramos lucro em todas as estatais. Depois, foram necessários R$ 5 bilhões, mais R$ 5 bilhões e agora R$ 6 bilhões de aportes”, disse a ex-presidente da Caixa.
Segundo Daniella Marques, o desempenho dos Correios durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é consequência “de um time que não está entregando resultado”. “Se eu entregar os Correios por R$ 1, você leva R$ 9 bilhões em dívidas. Eles não são mais vendáveis”, explicou.
Em uma tentativa de rebater os argumentos de Daniella Marques, Durigan disse que a crise nos Correios é resultado da inclusão da empresa no Programa Nacional de Desestatização (PND), o que teria limitado sua capacidade de investimento.
“Esse problema começa quando os Correios foram colocados no PND. Isso impedia que a empresa fizesse investimentos. Veio a pandemia, todas as empresas de logística se modernizaram para atender a essa demanda, e os Correios ficaram para trás”, declarou o ministro.
“Hoje estamos fazendo um trabalho com os Correios e, de fato, não é algo que a gente tenha alegria em fazer. Colocamos R$ 6 bilhões para que os Correios possam se modernizar”, continuou Durigan. “Estamos recuperando os Correios sem nenhuma dificuldade para discutir quais parcerias com a iniciativa privada os Correios precisam fazer.”
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