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Ratko Mladic, criminoso de guerra e antigo chefe militar dos sérvios na Bósnia, morreu nesta quinta feira, 27, em um hospital penitenciário de Haia, onde anos antes havia sido julgado e condenado à prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por genocídio durante a guerra no país, que deixou cerca de 100 mil mortos. Apelidado de “açougueiro da Bósnia” por seu protagonismo no cerco de Sarajevo e no massacre de Srebrenica, nos anos 1990, o homem de 84 anos estava gravemente doente.
A notícia de sua morte foi repercutida primeiro pela emissora estatal sérvia RTS e confirmada pelo Mecanismo Residual Internacional dos Tribunais Penais.
“Mladic faleceu hoje enquanto estava hospitalizado em Haia”, informou a corte, acrescentando que a juíza uruguaia Graciela Gatti Santana ordenou “uma investigação exaustiva sobre as circunstâncias” do episódio.
A morte do ex-militar veio pouco após o TPI recusar o pedido de sua família e do governo sérvio para que ele fosse transferido a um hospital militar em Belgrado.
‘Quintessência do mal’
Mladic comandou as forças sérvias da Bósnia durante a guerra de 1992-1995 e, por muito tempo, foi considerado um herói nacional. No entanto, entrou para a história como “a quintessência do mal”, na definição do ex-alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al Hussein, devido aos crimes de guerra cometidos lá.
O cerco à cidade de Sarajevo, imposto por 1.425 dias, entre 1992 e 1996, na tentativa da Sérvia de impedir a independência da Bósnia e Herzegovina e dominar a capital do novo país, levou à morte de mais de 11 mil pessoas — 85% delas civis.
Já os crimes de Srebrenica, um enclave muçulmano declarado “zona segura” pelas Nações Unidas e protegido por forças de paz holandesas, envolveram o assassinato, em julho de 1995, de mais de 8 mil homens e meninos bósnios que haviam buscado refúgio lá, no que é considerado o pior massacre em solo europeu desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
O “açougueiro da Bósnia” só foi detido em 2011, em Lazarevo, na Sérvia, após passar 16 anos foragido. Ele foi extraditado para Haia, onde foi julgado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIJ) e condenado, em 2017, à prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O veredicto foi confirmado em apelação em 2021.
Durante a guerra dos Bálcãs, ele foi o rosto militar do trio composto pelo então presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, e o líder político dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic. Imagens da época o mostravam distribuindo doces para crianças antes que elas e as mulheres de Srebrenica fossem levadas de ônibus, enquanto os homens eram conduzidos a um bosque e executados. Seus corpos foram jogados em valas comuns, muitas das quais foram reviradas na tentativa de ocultar provas.
Os poucos que escaparam contaram histórias devastadoras de assassinatos, torturas e estupros a cargo das forças sérvio-bósnias.


