O prefeito da cidade, Juan Jesús Vivas, disse ao jornal El País que o necrotério da cidade recebeu 88 cadáveres, incluindo alguns de pessoas que morreram em tentativas anteriores nas últimas duas semanas. De acordo com ele, autoridades marroquinas também estavam recuperando corpos do mar.
Localizada na costa norte da África, em frente ao Estreito de Gibraltar, Ceuta, juntamente com Melilla, constitui a única fronteira terrestre entre a União Europeia e o continente africano. As duas cidades autônomas espanholas registram com frequência ondas de tentativas de travessia de migrantes que buscam entrar na Europa
Imagens registradas pela agência espanhola Atlas News mostram uma multidão de jovens atravessando o mar de diferentes formas: nadando, flutuando em boias ou sendo transportados por embarcações de resgate. Alguns foram vistos gritando “Viva a Espanha” após a travessia, enquanto agentes da Guarda Civil distribuíam água e auxiliavam os recém-chegados.
Divergência em números
Apesar do número divulgado pelos espanhóis passar de 70, o Ministério do Interior do Marrocos disse, em um comunicado divulgado neste domingo, 2, que apenas 11 pessoas morreram na tentativa de chegar à Ceuta. No texto, o órgão explicou que ainda está verificando informações passadas pelo governo espanhol sobre as mortes.
Além disso, as autoridades marroquinas estimaram o número de envolvidos na travessia em 40.000, enquanto os espanhóis acreditam que a quantidade de pessoas que atravessaram a fronteira seja de mais de 50.000. Em nota, o Marrocos reiterou seu compromisso em combater a imigração ilegal e pediu que a responsabilidade pela gestão dos fluxos migratórios seja compartilhada.
Crise migratória
A situação agrava uma crise migratória que já vinha se intensificando este mês. Antes da chegada em massa desta quinta-feira, mais de 1,5 mil migrantes já haviam alcançado Ceuta na semana passada, segundo autoridades locais. O centro de acolhimento de imigrantes da cidade opera acima da capacidade e, na quarta-feira, mais de 400 pessoas já aguardavam uma vaga.
O Ministério do Interior da Espanha declarou que grupos criminosos teriam usado uma recente decisão do Supremo Tribunal para estimular a tentativa de entrada no território espanhol. A sentença determinou que pessoas que chegam ao país pelo mar de forma irregular não podem ser devolvidas imediatamente a outro Estado.
Diante da crise, o governo da Espanha enviou militares para apoiar a Guarda Civil e reforçou o efetivo policial responsável pela segurança de Ceuta. As autoridades também destacaram que haviam concordado com Rabat em tomar medidas para devolver “o mais rápido possível” para Marrocos “todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta”.
“Estamos em uma situação de absoluta emergência humanitária e social”, alertou o prefeito Juan Vivas, à televisão pública espanhola TVE.


