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O presidente Donald Trump comemorou, na quarta-feira 2, a saída do príncipe Harry e de sua esposa, a ex-atriz americana Meghan Markle, dos Estados Unidos. Os Sussex fizeram as malas para voltar ao Reino Unido seis anos depois de abandonarem as funções de royal sênior e romperem com o Palácio de Buckingham, período recheado de escândalos, acusações e picuinhas na família Windsor.
O ocupante do Salão Oval disse que não era fã do casal, que acabam de deixar a ensolarada Califórnia rumo ao Cotswolds, reduto de milionários a duas horas da capital britânica. Os dois voltaram ao Reino Unido na semana passada juntamente com seus filhos, Archie, de 7 anos, e Lilibet, de 5.
“Estou feliz com isso. Não era fã” do casal, disse Trump, que nunca escondeu sua admiração pela realeza da Inglaterra (nem suas tentativas de emular a monarquia com paredes forradas de ouro na Casa Branca e eventos recheados de pompa).
“Eu acho que eles trataram a família real com grande desrespeito. Não gostei. Não gostei de como ela agiu. Achei que ela foi terrivelmente desrespeitosa com a rainha, com o rei Charles”, acrescentou o presidente americano.
Saíram batendo a porta
Harry e Meghan deixaram o Reino Unido em meio a um ambiente que consideravam hostil — a ex-atriz se dizia perseguida pela imprensa e vítima de racismo; ele acusava o Palácio de Buckingham de não protegê-la e jurava não querer repetir “o jogo que matou” sua mãe, Diana.
Uma vez instalados na Califórnia, transformaram o rompimento em espetáculo global. Fizeram uma entrevista bombástica com a apresentadora Oprah Winfrey; ventilaram pressões e humilhações ao longo de uma série documental de quatro episódios na Netflix; Meghan também desabafou em seu podcast Archetypes, do Spotify.
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Mas empreitadas em solo americano não progrediram: o duque não se firmou como um prócer da filantropia e a duquesa não conseguiu pôr de pé o projeto de se tornar uma guru de culinária e estilo de vida (embora, sustentados por heranças de Harry e pelo nada desprezível pé de meia de Meghan, que foi estrela do popular seriado Suits de se casar, os Sussex não tenham nenhum problema financeiro).
Tensões e atritos
Como é de praxe em anúncios com poder de chacoalhar as placas tectônicas do castelo, muitas teorias surgiram para explicar a mudança. A que saiu na frente é uma aposta na tentativa de reaproximação familiar — aos 77 anos e sofrendo de um câncer aparentemente incurável, o rei Charles III estaria querendo encerrar uma briga que embaça o brilho da Casa de Windsor.
A relação mais deteriorada, porém, é com o príncipe William, que, mais perto que nunca do trono, parece irredutível em manter distância. Na autobiografia intitulada Spare (“estepe”, o segundo príncipe que, em caso de morte ou abdicação, ocupa o lugar do herdeiro, o heir), Harry acusou o irmão mais velho de tê-lo estapeado durante uma discussão sobre Meghan — episódio que aprofundou a fratura já alimentada por ressentimentos antigos.
“A confiança da família real nos Sussex evaporou”, disse à imprensa britânica Catherine Mayer, autora de Dividir para Governar: Mulheres da Realeza e Suas Batalhas.
Trump, como gosta de fazer, pitacou: “Talvez eu seja diferente. Eu não o teria recebido de volta, certo? Se eu fosse da família real, não os teria aceitado de volta”, disse ele.
De todo modo, o casal não é mais parte ativa da família real e não está previsto que retome suas funções oficiais.


