O Rock in Rio, considerado o maior festival de música do mundo, começou nesta sexta-feira (4) e promete reunir mais de 100 mil pessoas por dia. A maratona de shows costuma exigir muito do corpo e, principalmente, da voz.
Segundo a Dra. Joice Carneiro, fonoaudióloga e coordenadora do curso de Fonoaudiologia do Centro Universitário Módulo, é comum que no dia seguinte do evento algumas pessoas acordem roucas, já que costuma forçar a voz durante a festança.
“Para se fazer ouvir na multidão, a pessoa aumenta a pressão do ar e a força com que as pregas vocais se chocam. Como elas vibram milhares de vezes por segundo durante horas seguidas, ocorre um trauma mecânico no tecido, gerando uma resposta inflamatória e inchaço (edema). Com as pregas vocais inchadas, a vibração fica irregular e ineficiente. É por isso que, no dia seguinte, a pessoa acorda rouca ou afônica”, explica a especialista.
Mas, afinal, como recuperar isso?
Segundo a fonoaudióloga, é ideal seguir esses cuidados:
- Hidratação intensa: ingerir entre 2 e 3 litros de água por dia. A água não passa diretamente pelas pregas vocais, mas hidrata o organismo sistemicamente, fluidificando o muco que recobre a laringe e permitindo uma vibração mais suave e eficiente.
- Inalação e ambiente protegido: fazer inalações com soro fisiológico ajuda a umedecer as vias aéreas. Além disso, evite ambientes com fumaça, cigarro/vape, poeira e ar-condicionado excessivo, que ressecam a mucosa.
- Repouso e sono de qualidade: o álcool e a privação de sono combinados ao esforço vocal desidratam o corpo e retardam a regeneração tecidual. Dormir bem é parte fundamental do tratamento.
Quando devo buscar ajuda médica?
Ainda de acordo com a especialista, a rouquidão costuma acontecer entre 24 e 48 horas. Se a voz não se recuperar conforme o passar dos dias, é necessário ir ao médico.
“Se a pessoa continuar completamente sem voz ou se a melhora for mínima após 7 dias, é fundamental buscar uma avaliação especializada com um otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo. A persistência dos sintomas pode indicar lesões mais estruturadas, como nódulos ou pólipos, que exigem tratamento específico”, conclui a fonoaudióloga.


